Another Voice - Agnostic Front

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Another Voice - Agnostic Front


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Rodrigo Helfenstein, Vinicius Mariano, Adriano Coelho, Jorge Vitzac, juntamente com Fernando Schaefer e TJ, da banda ENDRAH, comentam o álbum “Another Voice”, do Agnostic Front.

Mesa Redonda é uma seção da revista RockHard-Valhalla. Esta matéria foi publicada na edição 29 da revista.
Participantes:

Rodrigo Helfenstein, Vinicius Mariano, Adriano Coelho, Jorge Vitzac.

Convidados Especiais:

Fernando Schaefer e TJ (ENDRAH).


Faixa 1 – Still Here

FS: Essa microfonia de começo é do metal novo. Agora já ta partindo pro corinho punk.

AC: Pra vocês que já conhecem bem a banda, mudou muito em relação ao último disco?

FS: Melhorou pra caralho. Quem gosta do One Voice, que tem aquela pegada mais metal, vão curtir pra caralho esse novo disco.

RH: Eles próprios disseram que esse disco é uma continuação do One Voice.

FS: E o Stigma (NR: Vinnie, o guitarrista) está gritando como um maldito. Os caras estão tocando com uma raiva que não se via há muito tempo. O cara toca com o dedo atrás do braço da guitarra (imitando).

AC: Fiz uma entrevista com eles quando eles tocaram na Broadway, e eles meteram o pau nos rap e nos black metal. Falaram que os rappers eram revoltados que ficaram ricos e agora ficam desfilando com carros importados e dos “blacks” ele disse que era tudo uma palhaçada, que não tinha ideologia nenhuma (risos). Meteu o pau no The Queers, os chamou de viados, falou que adora o pessoal do Shelter...

FS: Eles são bem nova-iorquinos mesmo (risos). E esse disco realmente está bom mesmo. Tá bem mais porrada que o Dead Yuppies.

RH: Eu achei que o vocal está bem diferente, com o Roger forçando muito.

FS: É porque cada vez mais ele força o Uhrr, Uhrrr (imitando a voz). Nova-iorquino ao extremo.


Another Voice é o 13º álbum do Agnostic Front, e resgata a pegada mais hardcore de Nova York
Faixa 2 – All Is Not Forgotten

VM: Mesmo com esse vocal forçado, acho que o show deles deve ainda estar muito foda.

FS: As rodas estão pegando muito mais agora. Olha essa pegada marchada. É um exército, cara! São tropas marchando para a pancadaria. É uma característica que eles tinham perdido há um tempo, tava muito mais punk.

AC: Aquele vídeo (NR: “Anthem”) que eles tocam no meio de uma galera é maravilhoso.

RH: Um dia antes da entrevista que fizemos com eles, eles gravaram um DVD no CBGB’s e eu perguntei pro Roger se tinha rolado a mesma coisa dessa vez e ele disse que foi igual. Todo mundo invadiu o palco, não teve como segurar o pessoal e eles ficaram no meio da galera de novo.

AC: Pra você ter idéia da atitude dos caras, eles já tocaram duas vezes no Black Jack.

FS: Nós vimos um dos shows deles em Nova York e tinha um monte de careca, alguns punks, uns caras metal e inclusive, o Dick e o Pompeu do Korzus colocaram o cabelo pra dentro do boné pra evitar problema com os caras. Os caras viram que tinha uma porrada de cabeça pelada e ficaram assustados (risos gerais).

JV: Eles sempre tiveram essa característica meio “oi!” Quando eles apareceram no Brasil, nós achávamos que eles eram “oi!”, mas depois nós vimos que não tinham nada haver.

RH: Nós perguntamos pra eles na entrevista sobre isso e a relação com os movimentos skin e straight edge com eles. Eles disseram que tinha tudo a ver com eles pelo lance dos caras pregarem a união, a união de todos os movimentos e tal.

FS: O pessoal de Nova York prega mesmo esse lance de união.


O Agnostic Front tem 22 anos de estrada e se prepara para lançar seu primeiro DVD, gravado ao vivo no CBGB’s

Faixa 3 – Fall Of The Parasite

AC: Eu não senti racismo nenhum por parte deles. Eles falam o que acham, não têm língua presa. Se tiver que falar mal de alguém eles falam mesmo, como ele falou mal nos caras do rap, falou que os caras eram tudo preto contra branco, mas eu não vi racismo entre eles.

FS: As pessoas às vezes associam as pessoas e bandas com coisas que não tem relação. Nem tem porque eles serem assim, já que o Roger tem descendência latina. Eles estão tudo nessa onda de cantar música em espanhol. Inclusive, quando eles vieram aqui, ele ficou numa onda de falar e cantar umas coisas em espanhol e ninguém entendeu porra nenhuma (risos gerais). Ele não sabia que aqui só se falava o português. Ele até tem uma tatuagem escrita 100% latino.

AC: Isso eu não sei, mas sei que o cara ficou de cueca pra mostrar as tatuagens dele e tinha até um Cristo tatuado. Perguntei pra ele e ele me disse que não era um cara religioso, mas acredita em algumas coisas, já que a família dele é religiosa e tal.


Faixa 4 – Pride, Faith, Respect

AC: Rapidinho o disco. Já estamos na quarta faixa. Tá meio grind o negócio.

FS: Além do disco estar bem mais legal, ele também está muito bem gravado.

VM: Pra mim, esse disco é melhor deles dos últimos anos.

FS: Eu gosto pra caramba do One Voice e pra mim esse novo disco é o melhor desde então.

VM: Dessa vez os caras soltaram a mão nas palhetadas e deixaram o disco cheio de guitarras nervosas.

FS: O batera também ta soltando o braço e metendo bronca no pedal duplo, coisa que não faziam há dez anos.

AC: Mesmo assim, não foge do hardcore.

FS: É a raiz de todo o negócio.

JV: Mas está um pouco diferente do que eles faziam antes.

AC: Sim, mas acho até normal a banda querer mudar um pouco. Não dá pra ficar tocando a mesma coisa em todo o disco.

JV: Esse som é um negócio que eles mesmos criaram.

FS: Foram eles mesmos que criaram esse lance com o punk e deram uma desviada e acho que acabou caindo a ficha neles e nos caras do Hatebreed, Madball que foram pro lado mais metal. Tem muita banda de hardcore como o Heaven Shall Burn e o Caliban que tocavam hardcore e acabaram se desviando mais para o metal extremo.

AC: E qual é a banda de thrash metal que não tem influência do hardcore? Kreator, Slayer, todos têm.


Fernando Schaefer e TJ (ENDRAH)

Faixa 5 – So Pure To Me

TJ: É engraçado como é diferente o hardcore de Nova York com o de Los Angeles. Tem muita gente que acha que Offspring é hardcore (risos)!

FS: É a mesma coisa que falar que o CPM 22 é hardcore.

AC: Já falaram até que Kid Abelha é rock (risos gerais). Não dá pra duvidar de mais nada. Esse negócio Nova York – Califórnia é que nem um lance de bandas de São Paulo e Rio de Janeiro, que são completamente diferentes.

VM: Essas bases que estão rolando são totalmente thrash.

AC: Esse disco vai entrar na lista dos meus melhores do ano, com certeza.

FS: Do caralho. Eles voltaram mesmo com força total. Eles até chamaram os caras do Terror e do Hatebreed para fazer participação no álbum. O Hatebreed também é outra banda foda.

AC: Uma vez chamaram o Agnostic para tocar na Europa pra abrir o show do Iron Maiden e perguntaram pro Roger o que ele achava e ele respondeu que era uma coisa normal, e que cada um fazia o som que quisesse e boa. Quem não gostasse do som deles sentava e quem não gostasse do Iron sentava e boa. “Você acha que eu vou desrespeitar o Iron Maiden?”, disse ele. “Não é a minha praia, mas jamais faria algo assim”. Na coletiva que ele deu em São Paulo ele matou, todo mundo virou fã dele. O cara sabe falar, não tem jeito.


Faixa 6 – Dedication

TJ: Olha o hardcore de novo.

AC: A batera do álbum está ótima.

FS: Eles estão com umas viradinhas mais espertas. O Jimmy, baterista que tocou no disco anterior, é maior gente fina, nós nos conhecemos em Nova York. O cara é muito doidão. Uma vez foram pra cima dele para tentar assaltá-lo e ele reagiu e acabou levando um tiro na barriga e ficou com uma cicatriz gigante na barriga, de ponta a ponta.

VM: Você (Fernando) já chegou a tocar com eles?

FS: O Korzus tocou com o Agnostic em 1992 na Europa, mas eu não tava na banda ainda. Quando eu já fazia parte da banda, nós tocamos com o Madball. Na época, eu e o Soldado (ex-Korzus) fizemos uma jam com eles e tocamos a “Crucified”, do Agnostic Front. Foi do caralho. Mas o batera que veio com o Madball aqui no Brasil não sabia tocar a música, mas nós fomos em frente e nos chamaram para subir no palco e mandamos ver.


Faixa 7 – Peace

FS: Você pode notar que esse disco tem bastante esses coros. Acho que eles botaram uns 300 negos pra fazer esses coros (risos). Os coros estão gigantes.

JV: O legal deles é que eles sempre fizeram o hardcore pra galera cantar junto. Eles fazem uns refrãos pra galera cantar mesmo.

FS: O Agnostic sempre teve essa coisa de hino, pra todos cantarem juntos. Esse disco então é só hino!

RH: É só hino mesmo, com certeza.

TJ: É um próprio lance do Agnostic mesmo. Fazer música pros caras subirem no palco, abrir roda.


Faixa 8 – Take Me Back

FS: Olha essa pegada. Está bem nervoso o negócio.

RH: O hardcore mais de começo tipo Dead Kenedys, Minor Threath você também gosta ou ouvia? Bandas da califónia...

FS: Nessa época eu ouvia mais metal, não era chegado no punk. Ouvia muito Ozzy, Judas, o Painkiller é maravilhoso.

TJ: Eu gostava do Fight também.

AC: O Bad Brains era da onde?

RH: De Washington...

FS: É essas bandas da Califórnia tinham mais o lance de diversão, já as bandas de Nova York, tipo Agnostic era aquela coisa mais nervosa mesmo.

JV: Era o que falamos antes de São Paulo-RIo


Faixa 9 – Hardcore! (The Definition)

RH: O Roger disse na entrevista que essa música seria a definição do que é o hardcore pra ele.

AC: Isso é pula-pula.

FS: O som é bem canguru mesmo. Nova York é hardcore canguru, pra fazer todo mundo agitar.


Faixa 10 – Casualities Of The Times

FS: Pra você ver o nome que eles têm, esse novo disco vai sair pela Nuclear Blast.

TJ: Antigamente a Nuclear só lançava pancadaria, mas agora estão abrindo mais o leque da coisa.

VM: Essas bases são muito thrash! Elas estão colocando um peso muito grande em todo o disco.

FS: Ah, eles estão palhetando mesmo. Não sabiam o que era abafar as cordas há uns três discos (risos), mas estão voltando a fazer isso de novo. Meteram até uns solos nas músicas agora.


Faixa 11 – No One Hears You

RH: De new metal vocês gostam de alguma coisa?

FS: Precisa ver o que é o new metal, no caso.

AC: De System Of A Down eu gosto. O Korn é uma merda e o Jonathan Davis é um dos caras mais escrotos que eu já entrevistei.

FS: O Korn está fazendo um lance parecido com o funk carioca agora (risos gerais).

AC: O baixo nesse disco também é legal.

FS: Está bem pesado. Acho que da formação original, só ficou o Roger e o Stigma. Eles deram uma reorganizada na cozinha e agora o negócio ficou bom mesmo.


Faixa 12 – I Live It

JV: Apesar de ser um disco legal, eu estou achando as músicas muito iguais.

AC: Eu achei que mudou muito de uma faixa pra outra.

RH: Acho que o Roger forçou muito pro vocal sair assim.

FS: Mas é uma característica deles. Quem gosta do Agnostic gosta disso. Quanto mais ele forçar nesse vocal urbano, mais a galera vai curtir.

RH: Mas falando normalmente o cara não faz esse tipo de voz (risos).

FS: Não. O vocal do 25TA Life que às vezes entra numas de imitar o Roger cantando assim.


Faixa 13 – It’s For Life

FS: Olha a base pesada de novo. Isso é um murro na cara na roda.

AC: Lembro desse show do Agnostic Front no Black Jack que foi uma pancadaria do caramba.

FS: Eu fico também totalmente insano nessas rodas.

AC: É legal cruzar na roda com esses caras que curtem Bad Religion, Offspring e se acham punk.

FS: Aquela mensagem continua na parada. “Vamos unir o exército de novo”.

RH: E sobre esses lances skin e oi? O que vocês acham?

FS: Na época do Treta nós ouvíamos mais esses sons, tanto que o nome do disco era Sangue, a Honra e a Verdade, que era um refrão de um som do Agnostic Front. Nós curtíamos entre a gente, mas nada de sair por aí pra ficar espalhando a discórdia, nunca tivemos reuniões com skins ou algo do tipo.

RH: Um amigo meu me passou umas bandas oi! tipo Skewdriver, mas é tudo muito punk, hardcore mesmo, não vejo muita diferença.

FS: É tudo muito toscão mesmo.


Faixa 14 – Another Voice

FS: Essa é a introdução do One Voice... Tem uma música do 25TA Life que fala que o Vinnie Stigma adora os straight edge porque ele pode ficar bêbado que eles guiam o carro pra ele voltar pra casa (risos gerais).

RH: O Agnostic deu uma sumida nos últimos tempos.

FS: E deu muito espaço para as bandas que vieram atrás deles como o Hatebreed ou Terror conquistar um espaço legal.

RH: Pra terminar, uma consideração final sobre o disco.

JV: Eu achei legal, mas mais pela aquela praia que eles estão fazendo do meio para o que eles fazem hoje, já que aquele hardcore do começo de carreira já era.

VM: Dos últimos discos que eles lançaram, esse com certeza é o mais legal e o mais pesado. O disco tem muitas bases de thrash metal.

FS: Apesar de ter gostado do Dead Yuppies, gostei muito mais desse disco. Ele tem muito mais influências de metal, é mais hardcore, mais pesado.

RH: Eu achei o disco bem legal, mas achei que o Roger forçou bastante no vocal.

JV: Eu achei o vocal muito monótono, pra falar a verdade. Sem muita variação.

FS: Pro Agnostic Front, esse vocal está legal.

VM: E mesmo ele cantando assim continua mantendo toda a agressividade do álbum.

FS: Eles chegaram a um nível que conseguiram juntar o metal do One Voice, os coros mais punks e oi, as partes rápidas, uma pegada mais moderna... os caras conseguiram juntar tudo nesse disco. Os fãs podem comprar esse disco de olho fechado que não vão se arrepender. Como eu já disse, depois do One Voice, esse é o melhor disco.

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