Vondur: Black Metal exótico, hilário e cativante
Resenha - No Compromise - Vondur
Por Christiano K.O.D.A.
Postado em 28 de junho de 2011
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Bom, quem conhece essa loucura sabe que encontrará aqui uma das bandas mais exóticas, estranhamente hilárias e cativantes do black metal mundial. Entretanto, esse CD aqui nada mais é do que uma compilação de todos os trabalhos da Vondur – a demo "Vondur" (1995), "Stridsyfirlýsing" (1995) e o EP "The Galactic Rock'n'Roll Empire" (1996), divididos em dois discos.

Lembram-se da resenha do Ulver, quando se falou em um dos álbuns mais sujos da história do metal negro? Pois é, esse aqui também é imundo quase igual, e irresistível. E o material aqui é tão bom que merece ser comentado faixa a faixa. E olha que são 27 no total.
Abrindo o primeiro CD, "Kynning - Einvaldnir er Her" apresenta uma introdução com tambores, cornetas e falas, provavelmente em sueco. Uma coisa meio doida, mas interessante. Depois, "Dreptu Allur", rápida e rasteira, com uma estrutura limitada, mas potente. Muito boa. "Uppruni Vonsku" já tem uma levada mais lenta e empolgante, com riffs simples, porém eficazes. O final da música tem uns sons que parecem cornetas, dando um acabamento bem legal.
Depois, vem uma chamada "Kynning - Fjórði Ríku", com um teclado metido a dramático, misturado com certo suspense, e aparentes lamentos do vocalista. Legal pacas! Na sequência, "Fjórði Ríkins Uppgangur" é velocíssima quase do início ao fim, com pequena variação de ritmo. Um verdadeiro petardo!
Hora de uma influência totalmente rock ‘n’ roll com "I Eldur og Ðrumur". Riffs e andamento grudento em uma música excepcional. "Vondur" (a faixa), que vem logo depois, é só um belíssimo piano e os vocais de All. Trabalho fantástico. Após o descanso, outra metralhadora com "Hrafnins Auga er sem Speglar a Botni af Satans Svarta Salur", violentíssima. Mal dá para distinguir as melodias dos riffs, que parecem um zunido só. A bateria, claro, invariável e ótima.
"Eitt Bergmál ur Framtiðinnar Dagar" começa com teclados profundos, mas depois, o os outros instrumentos correm soltos em outra música bem rock. De verdade, essa mistura funciona bem demais no Vondur. Logo após, fogo e mais teclados sinistros em "Kirkjur Skola Brenna". O clima é literalmente infernal. E a agressividade extrema volta em "Sigurskrift", novamente ultra-rápida e sem perdão. Os riffs também são bastante simples, mas se encaixam perfeitamente com a composição.
Já estamos em "Guð er Dáinn", pesadona no começo pelos riffs marcantes e pelos dois bumbos. Ao longo da faixa, levadas quase doom, mescladas com outras mais agitadas completam a canção. "Ekki krist - Opinberun I & II" é mais uma ignorância brutal. Sem mais comentários. Outra "pausa" nas trovoadas de "Èg Daemi Oss til Dauða", e depois, o trem desenfreado em "Ekki Nein Verður Saklaus". Muito visceral.
A penúltima do disco 1 é "Beitir Hnifar Skera Djupur", a mais destoante do resto das músicas. Novo rock ‘n’ roll com vocais limpos e cômicos. Do Vondur, pode-se esperar tudo. E não é que esse som também é interessante? Bom, e fechando a porradaria, "Höfðingi Satan" é outra com pianos, flautas e vocais melancólicos. Um clima depressivo e agonizante invade o ambiente.
No segundo CD, que contém o EP e a demo, é interessante perceber que a faixa de abertura – "Kill Everyone" – cantada em inglês, tem o instrumental idêntico ao de "Dreptu Allur", do primeiro play, exceto pela qualidade da gravação. Não posso afirmar com certeza se seria mesmo uma versão em inglês da música, pois baseio-me somente em um promo CD de "Stridsyfirlýsing", que obviamente não veio com encartes ou letras. Portanto, não me crucifiquem. Se alguém puder confirmar isso, agradeço.
Pois bem, agora vem coisas ainda mais curiosas e bizarras. O EP vem com alguns covers até esperados e outros inimagináveis no underground: "You Don’t Move Me, I Don’t Give a Fuck" (Bathory), "Rocka Rolla" (Judas Priest – tá, esse até que não seria tão incomum), "Red Hot" (Motley Crue – já está ficando estranho) e "Love Me Tender" (Elvis Presley - !!!!!!!!!!!). Essa versão do rei do rock é... bom... indescritível. Só uma coisa: você irá rir demais. Mas vale dizer que todas ficaram simplesmente demais.
"Panzer Legions of Vondur" mantém o clima rock (pô, com um EP chamado "The Galactic Rock'n'Roll Empire", esperava o que?), e tem riffs bem bacanas. Lá pela metade, o ritmo dobra de velocidade, e pouco depois, os maravilhosos blast beats. Muito bom. E "The Ravens Eyes are as Mirrors on the Bottom of Satans Black Halls", que seria a última música do supracitado EP, vem em sua forma mais violenta. Simplesmente sanguinolenta em toda sua plenitude.
As próximas três músicas são da demo que, como esperado, apresenta qualidade inferior em relação ao restante do material. Mas o registro não poderia ficar de fora. "Uppruni Vonsku", "Eitt Bergmál ur Framtiðinnar Dagar" (juro que aqui, o riff da gravação lembra uma musiquinha do game "Double Dragon", do Nintento 8 bis) e "Èg Daemi Oss til Dauða" foram regravadas para o "Stridsyfirlýsing". Portanto, evidentemente são mais cruas e levemente mais lentas. Nem por isso deixam de ser agradáveis.
Falando de modo geral, a bateria é a coisa mais engraçada do mundo. O cara engata a primeira e fica eternamente fazendo praticamente a mesma batida, direta e reta, quase sem viradas, e usos raros do prato. Realmente divertida! O baixo é um treco também esquisito, com uma baita distorção que, juntamente com a guitarra, suja que só, parece um verdadeiro enxame. O vocal de All é aquele esgoelado típico do black, bastante parecido com o de Abbath (Immortal). Material tosco, é verdade, mas muito verdadeiro.
Esse CD duplo é um grandioso lançamento, devido à enorme importância que o Vondur tem no cenário black. Obrigatoriedade total de estar nas estantes e aparelhos de som dos fãs do velho e bom metal do capeta.
DISCO 1
1. Kynning - Einvaldnir er Her
2. Dreptu Allur
3. Uppruni Vonsku
4. Kynning - Fjórði Ríku
5. Fjórði Ríkins Uppgangur
6. I Eldur og Ðrumur
7. Vondur
8. Hrafnins Auga er sem Speglar a Botni af Satans Svarta Salur
9. Eitt Bergmál ur Framtiðinnar Dagar
10. Kirkjur Skola Brenna
11. Sigurskrift
12. Guð er Dáinn
13. Ekki krist - Opinberun I & II
14. Èg Daemi Oss til Dauða
15. Ekki Nein Verður Saklaus
16. Beitir Hnifar Skera Djupur
17. Höfðingi Satan
DISCO 2
1. Kill Everyone
2. You Don’t Move Me, I Don’t Give a Fuck (Bathory Cover)
3. Rocka Rolla (Judas Priest Cover)
4. Red Hot (Motley Crue Cover)
5. Love Me Tender (Elvis Cover)
6. Panzer Legions of Vondur
7. The Ravens Eyes are as Mirrors on the Bottom of Satans Black Halls
8. Uppruni Vonsku
9. Eitt Bergmál ur Framtiðinnar Dagar
10. Èg Daemi Oss til Dauða
Vondur – No Compromise
Osmose Productions – 2011 – Suécia
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Dimmu Borgir confirmado no Liberation Festival em São Paulo
A banda que era a "versão brasileira do Iron Maiden", segundo Max Cavalera
A música do Led Zeppelin que Brian May considera insuperável na obra da banda
Regis Tadeu e a banda clássica de hard que faz show ruim: "Melhor capinar lote com colher"
O hit que deu segurança financeira ao Judas Priest, segundo Ian Hill
Os melhores discos de 15 gigantes do thrash metal, segundo o Loudwire
Rush volta aos palcos e inicia a turnê "Fifty Something"; confira setlist
Fabio Lione homenageia Andre Matos e alfineta: "ninho de cobra que conhecemos bem"
A música que salvou a carreira de Ozzy Osbourne e se tornou um símbolo pop do metal
Cinco bandas europeias de Heavy Metal que merecem mais atenção no Brasil
Veja a performance completa de Anika Nilles no primeiro show com o Rush
O melhor riff de guitarra de todos os tempos, segundo Keith Richards: "Ele disse tudo ali"
A música mais importante que Roger Waters escreveu para "Dark Side of the Moon"
A frase desesperada de Dave Grohl para tentar evitar a morte de Kurt Cobain
O álbum inesperado de estreia que virou o disco de rock mais vendido dos anos 90
A música de John Lennon que até as crianças cantam junto, mas era louca demais para Prince
Regis Tadeu monta sua banda dos sonhos só com músicos vivos do rock nacional
Quiet Riot: quebrando disco de banda brasileira em 1985


Tarja Turunen: Frisson Noir - o álbum que os fãs sempre quiseram ouvir
Immolation anuncia a rápida e iminente autodestruição da humanidade no ótimo "Descent"
Michael Jackson - "Thriller" é clássico. Mas é mesmo uma obra-prima?
"Out of This World" do Europe não é "hair metal". É AOR



